quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

festa folclorica entre as lavadeiras de sucupira

projetando o pus das pulgas
e estrelas na favela do ombro

transeunte balbucia fome

novela

vou ficar imundo entre os jargoes da loucura

esculpir espantalho
no apartaid do olho
miomas e bugigangas no leito

aconchego de trapezistas triviais ..........
abandonado entre os automoveis
aquele deus
com freiras de cona carnivora
esquece as maos no colorido surdo do futuro

onde a casa faz transbordar desejo
meus pes gritam com elegancia teu nome

no entanto me corrigi aos berros

emporcalhando a cama com um cheiro forte

construi o fim antes da queda

ataquei a fraternidade sensacionalista do vermelho

em mim o maravilhoso era centro

doente por deixar a palavra
nenhuma borboleta atravessou os corredores da pele

todavia aconteci como polvo
com cara de prazer
abocanhando todo chocolate

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

substrato de angustia profanando o arco-iris que sai da boca
pesa o sexo nas manhas de espasmo
reclamando o preludio universal e pornografico desta alquimia
sempre atropelarei o doce misterio do cranio
(...
lingua mendigando o fracasso do verso
condenava a ilusao do pantano
enquanto o grito reunia todas as sombras
minha anarquia embolorava o dialeto
nesta altura era evidente o calafrio
robos obtinham desejos calejados
sendo angustia o gozo do espirito
a violencia transbordava
(...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

jabutis arreganham olhos de caatinga
onça pintada é meu simplório totem-tesouro
na mecânica da voz o pôr-do-sol ficou tísico
desmiolado gozo
vou viver o quotidiano dos fantasmas boêmios
depois danço um frevo rupestre
parca diárreia do crânio
o cansaço incendeia o corpo
já não faço justiça à velocidade do vulto
pela janela o abandono incentiva o fracasso das libélulas
de horas etílicas teço o improvável
nas caravelas
piratas da alucinação imperfeita lançam dados de sombra
no âmago da volúpia assassino cogumelos de sangue
todavia atirava âncoras no intestino da alma
e formigas sedentárias por devaneio
subvertendo a noite que névoa nos lençois palestinos da cabeça
estrelas combustam
no faz-de-conta úmido do silêncio
quis camuflar sonâmbulo os que se locomovem por ruas de pedra
pois o vazio é como um rei que nunca se aproximou do trono
suntuosa alegria de prazer no tétano
posso sentir meus braços no derrame do sonho
saborear montros e curupiras de lama
dor que atordoa - estiola as orquídeas da palavra
gafanhotos na travessura universal da língua
trapezistas embriagados no prenúncio das cores
esfinge no espelho espancado de alquimia
alienígenas do passado cospem nas escadarias do sonho

minha voz sempre será a tradução orgulhosa em desequilíbrio

ventriloquos na liturgia da história
pássaros póstumos
arquipêlago das manhãs que matam

sem o movimento doce da blasfémia
emudeço como protesto
e trato da matéria aos trapos

gelatinosa angústia
em nome do musgo
vomitarei partículas de uma esperança chula
afim de macular o tempo

minha solidão abocanhará os que estiverem famintos

miséria & mistério
nos pavilhões da força

terça-feira, 3 de novembro de 2009

coisas indecifráveis foram pintadas nas paredes brancas deste quarto
o afagar das mãos nas pálpebras enlouquecia o espírito

é sonâmbulo o êxtase

olhos vesgos/medo reticente

onde dançam os cães barbitúricos da última palavra
sei evocar o monstro da memória
macular a solidão de arruda

eu que me sonhei lodo/caixa de música
na fantasia complemento o milagre

com outras máscaras ouço o chamado (:

a evolução da terra
brutalidade pitoresca
teatro das mutilações

hoje a plasticidade canta vácuos de silêncio (:

mesopotâmia/malebolge

montanhas afogadas no oceano
peixes maravilhosos

estes corpos alimentam os objetos do reino
repousam sombras em meu cadáver

grito absoluto de outro jeito