são os castrados
os compassivos saudosistas que enxergam o ralo
que perpetuam o frígido orgasmo da impotência
afim de rebaixar tudo que tem espírito
depois adjetivam a palavra como se fosse um docinho
esquecendo nas vísceras da ressonância
que a poesia se movimenta no corpo da língua
sons agora dançam no turbilhão da imagem
encarnada e sem destino...
terça-feira, 17 de agosto de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
...
quero um desenho com gosto de neve
uma língua salpicada de delírio antes que anoiteça
a fome do belo colorindo o fosco
melodia onírica pra combater a monotonia do mundo
rimbaud criança com suas iluminações imperfeitas
anseio do esquecimento sua morada
fantasia geringonça na cabeça
girassol do instinto no orvalho desta hora
uma língua salpicada de delírio antes que anoiteça
a fome do belo colorindo o fosco
melodia onírica pra combater a monotonia do mundo
rimbaud criança com suas iluminações imperfeitas
anseio do esquecimento sua morada
fantasia geringonça na cabeça
girassol do instinto no orvalho desta hora
quarta-feira, 7 de julho de 2010
...
gralha esqueceu cachecol na árvore
dentro da sombra
convalescente do silêncio que morre
espiritualizo distância
mandioca na boca da terra
beijo com fome invisível
por isso respiro
transtornado o declínio
das castidades suntuosas
dentro da sombra
convalescente do silêncio que morre
espiritualizo distância
mandioca na boca da terra
beijo com fome invisível
por isso respiro
transtornado o declínio
das castidades suntuosas
quinta-feira, 24 de junho de 2010
toda escrita é porcaria
eu nao sou um daqueles escritores sentimentais
do tipo mia couto pra ficar morando em lisboa
com o pé da palavra atolado em moçambique
quero te contar uma história
daqui mesmo de meu terreiro
sem precisar fazer pose
papai matou o galo
depois bebeu o sangue
e disse que era gostoso
foi na venda de seu messias e encheu a cara
mamãe ficou brava e o expulsou pra fora de casa
ele arranjou uma amante e fabricou nela nove crianças
oito morreram e a única que sobrou
ficou sendo eu que te conto esta história
hoje tenho trinta anos
cato papelão nas ruas de são paulo
e estou escrevendo este livro que nunca vai ser publicado
minhas influências não são das mais diversas
não li maiakóviski e nem acho roberto piva um puta poeta
andei mexendo no lixo
na sacola dos versos
que nasceram adulterados pela vida
penso que estou me tornando melancólico
igual as goteiras do telhado
quero mais que minha vida se exploda
e que leve junto estes garranchos
eu que nunca vou adorar escritor como se fosse santo
sei que qualquer idiota escreve
e depois que ganha prêmio
fica bem mais vaidoso e é um porre
do tipo mia couto pra ficar morando em lisboa
com o pé da palavra atolado em moçambique
quero te contar uma história
daqui mesmo de meu terreiro
sem precisar fazer pose
papai matou o galo
depois bebeu o sangue
e disse que era gostoso
foi na venda de seu messias e encheu a cara
mamãe ficou brava e o expulsou pra fora de casa
ele arranjou uma amante e fabricou nela nove crianças
oito morreram e a única que sobrou
ficou sendo eu que te conto esta história
hoje tenho trinta anos
cato papelão nas ruas de são paulo
e estou escrevendo este livro que nunca vai ser publicado
minhas influências não são das mais diversas
não li maiakóviski e nem acho roberto piva um puta poeta
andei mexendo no lixo
na sacola dos versos
que nasceram adulterados pela vida
penso que estou me tornando melancólico
igual as goteiras do telhado
quero mais que minha vida se exploda
e que leve junto estes garranchos
eu que nunca vou adorar escritor como se fosse santo
sei que qualquer idiota escreve
e depois que ganha prêmio
fica bem mais vaidoso e é um porre
quinta-feira, 17 de junho de 2010
...
este poema nasceu predestinado
a ser posterior a minha existência
que na doença de outros lençois
deixa aristocrático o risco
transtornada e corpulenta
a dor surreal desta amargura
na traquinagem nômade da língua
me deixou apaixonado por este intelecto broxa
a ser posterior a minha existência
que na doença de outros lençois
deixa aristocrático o risco
transtornada e corpulenta
a dor surreal desta amargura
na traquinagem nômade da língua
me deixou apaixonado por este intelecto broxa
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