pinto
pinto
pinto minha boca de vermelho
desenhos são desejos que divagam ...
e a pintura é uma puta de oitocentos ânus
que morre de amor pelo poeta
a propósito o que seria de mim
sem a passividade
da cor
do cu
calabouço de vertigem no estupro do verso
piolho nababo
na cabeça das marionetes que dormem
amanhã sou nada
pergaminho de silêncio em tudo
vatapá para os vagabundos deuses
o jeito é me prostituir por tão pouco
tanto seria se não fosse
de um olho só
o sol assola a peste
terça-feira, 23 de novembro de 2010
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
uma deserta ação
conheci oitenta mulheres que se chamavam ana
da primeira à última
com todas elas minha imaginação transborda
viva a efervescência do gozo
sem puritanismo a virgindade feliz até os vinte anos
foi fred quem falou
em terra de urubus diplomados
os sabiás já não podem cantar
assim percebi que na confraria da arte
só tinha cuzão adornando o rosto do passado e do espelho
botando lenha no vazio
e rogando praga as aves do instinto
cada um com seu picasso
com sua kawazaki ninja
arrotando cerveja na cara do outro
pois o gênio cortou a orelha
exausto de ouvir a falsa dor dos dinossauros
da primeira à última
com todas elas minha imaginação transborda
viva a efervescência do gozo
sem puritanismo a virgindade feliz até os vinte anos
foi fred quem falou
em terra de urubus diplomados
os sabiás já não podem cantar
assim percebi que na confraria da arte
só tinha cuzão adornando o rosto do passado e do espelho
botando lenha no vazio
e rogando praga as aves do instinto
cada um com seu picasso
com sua kawazaki ninja
arrotando cerveja na cara do outro
pois o gênio cortou a orelha
exausto de ouvir a falsa dor dos dinossauros
terça-feira, 16 de novembro de 2010
verdade você é uma mentira
pirulito de morango
sol rachando os olhos da menina careca
um adeus com gosto de sexo e distância
quer que sequestre sua alma
nas tardes frias
uma punheta
um novo desejo
música pra dançar a noite
olhos flagelados de fotografia fogem
na madrugada adentro
te achei com cara de libanesa-tanto-faz
sua língua em minha boca
naquele instante chora
cansado
de camisinha vencida no bolso
sorri para o mendigo que me chamava
sol rachando os olhos da menina careca
um adeus com gosto de sexo e distância
quer que sequestre sua alma
nas tardes frias
uma punheta
um novo desejo
música pra dançar a noite
olhos flagelados de fotografia fogem
na madrugada adentro
te achei com cara de libanesa-tanto-faz
sua língua em minha boca
naquele instante chora
cansado
de camisinha vencida no bolso
sorri para o mendigo que me chamava
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
sólida solidão do sonho
quero limpar a bunda suja da poesia com seus treads
ah como estou cansado das prostitutas do facebook e do orkut
deste amor globalizado que fede
pois o google da língua é podre meu bem
beija minha boca de silêncio e sombra e suma
tatuado de desejo o corpo sofre
ah como estou cansado desta solidão sem rosto
deste sorriso abafado
de tudo...
afinal já dizia o poeta
quem não nada não voa
ah como estou cansado das prostitutas do facebook e do orkut
deste amor globalizado que fede
pois o google da língua é podre meu bem
beija minha boca de silêncio e sombra e suma
tatuado de desejo o corpo sofre
ah como estou cansado desta solidão sem rosto
deste sorriso abafado
de tudo...
afinal já dizia o poeta
quem não nada não voa
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
anotações pra uma dança-mumu
duas cadeiras e uma mesa
sapatos coloridos espalhados pelo chão
copo garrafa e charuto
mumu dança o vazio
música estrondosa sem correspondência
violão tocado com talheres
arranca-rabo de som
corpo no orgasmo do texto
as bananeiras se abrem
só se pode ouvir o vento
mumu carrega no colo os sapatos
como se fosse um pai afetuoso
numa língua desconhecida ele fala
tem olhos vesgos hipnotizados de chuva
gritos traduzem o eco das sombras na parede
assim o silêncio se cala
sapatos coloridos espalhados pelo chão
copo garrafa e charuto
mumu dança o vazio
música estrondosa sem correspondência
violão tocado com talheres
arranca-rabo de som
corpo no orgasmo do texto
as bananeiras se abrem
só se pode ouvir o vento
mumu carrega no colo os sapatos
como se fosse um pai afetuoso
numa língua desconhecida ele fala
tem olhos vesgos hipnotizados de chuva
gritos traduzem o eco das sombras na parede
assim o silêncio se cala
ananda
quero voar papai
ir pra casa da vovó chupar bala de melancia
pois o rio de minha voz
atropela a solidão do desenho
vou fazer careta pro sonho
cosmogonia de trapo
pra formiguinha em meus olhos brincar
ir pra casa da vovó chupar bala de melancia
pois o rio de minha voz
atropela a solidão do desenho
vou fazer careta pro sonho
cosmogonia de trapo
pra formiguinha em meus olhos brincar
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
autoretrato
ALAIN MOHAMAD BISGODOFU
bacharel em simbologia oculta
possui mestrado em causas abstratas
é doutor em ciências imaginárias pela U.C.E
(universidade do crânio em expansão)
estivador de poeiras cósmicas
arquiteto das construções faraônicas do verso
poeta por toda vida e por toda morte
fabrica desenhos, pinturas, letras, frases inteiras e canta ...
veste paletó de crente que já morreu
e afirma ter conversado com o fantasma de artaud numa favela carioca
cheirou o cu de hilda hilst na casa do sol em 99
foi iniciado por roberto piva em rituais de poesia xamânica no escuro
por toda eternidade se dedica ao ócio
transformando seu fôlego em criação
bisgodofu na rima tem iras e heras na garganta
sem nenhuma esperança
espanca a palavra até sair sangue ...
bacharel em simbologia oculta
possui mestrado em causas abstratas
é doutor em ciências imaginárias pela U.C.E
(universidade do crânio em expansão)
estivador de poeiras cósmicas
arquiteto das construções faraônicas do verso
poeta por toda vida e por toda morte
fabrica desenhos, pinturas, letras, frases inteiras e canta ...
veste paletó de crente que já morreu
e afirma ter conversado com o fantasma de artaud numa favela carioca
cheirou o cu de hilda hilst na casa do sol em 99
foi iniciado por roberto piva em rituais de poesia xamânica no escuro
por toda eternidade se dedica ao ócio
transformando seu fôlego em criação
bisgodofu na rima tem iras e heras na garganta
sem nenhuma esperança
espanca a palavra até sair sangue ...
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