brinco
e os brinquedos me avacalham sempre
estou sentindo a presença do nada se apresentando pra mim
por que não lembrar das amplitudes apagadas
daquele sítio grudado no brejo de pessoa
aqui vivo
no osso da sensibilidade cigana
entre o trem da tragédia
vermelha
quarta-feira, 30 de março de 2011
terça-feira, 29 de março de 2011
buraco-de-lágrima-nu-tempo
de meus olhos transcedentalizados pelo gozo
guardo a menstruação infinita das horas
onde danço a voçoroca da pele indomada
existe por si só num só fôlego (::
desejo de paisagens primitivas abaixo custo
desenho japonês na fotografia do imperfeito
nesta manhã comi dez formigas
momentânea borboleta em meu surto
lava sombrinha n'água de chuva
sonho paranóia
corte de cabelo na ficção protuberante do amor
guardo a menstruação infinita das horas
onde danço a voçoroca da pele indomada
existe por si só num só fôlego (::
desejo de paisagens primitivas abaixo custo
desenho japonês na fotografia do imperfeito
nesta manhã comi dez formigas
momentânea borboleta em meu surto
lava sombrinha n'água de chuva
sonho paranóia
corte de cabelo na ficção protuberante do amor
pergaminho da ausência
sofro na surpresa flutuante de mim mesmo
aquilo que fui que flui outrora fede
e a beleza excomungada
amanheceu catando centavos na boca do peixe
nada existe quando as cabeças pelo entorpecimento se afastam
mesmo que ainda desejem o não-lugar disso tudo
por que não se trata de poetas e proezas
tampouco compras de supermercado
meu sangue reclamou o frio da imaginação como se fosse uma fada
lá fiquei perdido
entre os costumes já não me ouço
aquilo que fui que flui outrora fede
e a beleza excomungada
amanheceu catando centavos na boca do peixe
nada existe quando as cabeças pelo entorpecimento se afastam
mesmo que ainda desejem o não-lugar disso tudo
por que não se trata de poetas e proezas
tampouco compras de supermercado
meu sangue reclamou o frio da imaginação como se fosse uma fada
lá fiquei perdido
entre os costumes já não me ouço
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
a verdade a vergonha e o silêncio
a verdade morava dentro duma caixa de sapatos cor de rosa
tinha olhos vesgos era sem pescoço
e se escondia da vergonha esquartejada
a vergonha sempre foi uma socialite histérica
que entendia a verdade como uma prostituta vertiginosa
e o silêncio
o silêncio era tudo
cena 1:
nossa prostituta verdade caminha pelas ruas
como se estivesse bêbada de esperança a qualquer preço e fala:
minha razão tropeçou naquilo que me faltava
alimentei toda moral confiante na certeza dos abutres
agora sofro por ter me enforcado no cipó da lógica
ando morta rabiscando meus desejos nas muralhas suicidas
prefiro hoje o monstruoso silêncio
a safada socialite vergonha
tomando um porre no boteco da esquina
mais uma vez se camufla se cobre com uma burca
cena 2:
ambas se encontram no mesmo cabaré todo-sonho-é-titica
verdade resmunga:
vergonha sou vertiginosa e vagabunda
me transformo em mentira toda hora
acho que tudo vestiu a mesma roupa
minha voz antecipou delírio
enquanto verdade se lamenta:
uma bicicleta vermelha atropela um poste
uma criança chora comendo banana
um mendigo pensa em assassinar a lua
vergonha agora tagarela:
estou cansada
cansada de mim e destes terapeutas que me amolam
não me escondo me estrago ouviram
sou de silêncio um gozo
de sombra nas crateras do infinito uma fuga
:um tomate gigante rola pelado no palco
uma dentadura fosforescente canta
verdade e vergonha se olham provocativas
e se lambuzam de jóias
cena 3:
nove homens verdes fazem arruaça no palco e desaparecem
verdade come a língua
vergonha esfaqueia fumaça com fúria
começa uma ventania
verdade se joga no chão
vergonha se mata na cortina
stravinsky toca
a platéia continua surda
e o silêncio
o silêncio virou grito
tinha olhos vesgos era sem pescoço
e se escondia da vergonha esquartejada
a vergonha sempre foi uma socialite histérica
que entendia a verdade como uma prostituta vertiginosa
e o silêncio
o silêncio era tudo
cena 1:
nossa prostituta verdade caminha pelas ruas
como se estivesse bêbada de esperança a qualquer preço e fala:
minha razão tropeçou naquilo que me faltava
alimentei toda moral confiante na certeza dos abutres
agora sofro por ter me enforcado no cipó da lógica
ando morta rabiscando meus desejos nas muralhas suicidas
prefiro hoje o monstruoso silêncio
a safada socialite vergonha
tomando um porre no boteco da esquina
mais uma vez se camufla se cobre com uma burca
cena 2:
ambas se encontram no mesmo cabaré todo-sonho-é-titica
verdade resmunga:
vergonha sou vertiginosa e vagabunda
me transformo em mentira toda hora
acho que tudo vestiu a mesma roupa
minha voz antecipou delírio
enquanto verdade se lamenta:
uma bicicleta vermelha atropela um poste
uma criança chora comendo banana
um mendigo pensa em assassinar a lua
vergonha agora tagarela:
estou cansada
cansada de mim e destes terapeutas que me amolam
não me escondo me estrago ouviram
sou de silêncio um gozo
de sombra nas crateras do infinito uma fuga
:um tomate gigante rola pelado no palco
uma dentadura fosforescente canta
verdade e vergonha se olham provocativas
e se lambuzam de jóias
cena 3:
nove homens verdes fazem arruaça no palco e desaparecem
verdade come a língua
vergonha esfaqueia fumaça com fúria
começa uma ventania
verdade se joga no chão
vergonha se mata na cortina
stravinsky toca
a platéia continua surda
e o silêncio
o silêncio virou grito
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
gravata azul clarinha quase branquela
que o chamado desejo nunca seja corrompido por pequenas tragédias
tampouco se tratando de vazio que o cheio transborde
ana
aprendiz de inércia em meu corpo fábula
cansei de mistério quero ser simples como o dia
sol no rosto do andarilho acariciado de sonho
há que saber pecar o bastante
boca suja de eternidade
pra que o silêncio fale alto
uma mentira
uma mistura
motivada pelos olhos que demarcam a pele
enquanto ando de bicicleta emaús me fogem
sei daquilo que sofre
nas garagens intransponíveis da solidão
deito na terra da esperança embriagada
exausto de alma magnética
no que sou segredo
ana
esmaguei o grilo na parede
com as mesmas mãos que acariciavam seu ventre
te prometo nada
meu pacto continua amando o paraíso deste abandono
na floresta natural do verso
língua paralítica
transformando as cores do ralo nas imagens que invento
tampouco se tratando de vazio que o cheio transborde
ana
aprendiz de inércia em meu corpo fábula
cansei de mistério quero ser simples como o dia
sol no rosto do andarilho acariciado de sonho
há que saber pecar o bastante
boca suja de eternidade
pra que o silêncio fale alto
uma mentira
uma mistura
motivada pelos olhos que demarcam a pele
enquanto ando de bicicleta emaús me fogem
sei daquilo que sofre
nas garagens intransponíveis da solidão
deito na terra da esperança embriagada
exausto de alma magnética
no que sou segredo
ana
esmaguei o grilo na parede
com as mesmas mãos que acariciavam seu ventre
te prometo nada
meu pacto continua amando o paraíso deste abandono
na floresta natural do verso
língua paralítica
transformando as cores do ralo nas imagens que invento
terça-feira, 30 de novembro de 2010
rio por quem tanto amo
uma ferradura abandonada
no asfalto nu
nosso herói suicidou-se
então fiquei lembrando do bandido
que te botou pra fora de casa luizângelo
mãe chorava
e eu todo poesia
esfregava meus olhos na lua pra afastar aquilo
só agora ouço outros acordes
na solidão histórica de meus dedos
bisgodofu e suas gloriosas tragédias
fica evidente que a mídia é uma merda
que pegou carona no filme da tropa podre
dando uma cagada
no destino sonâmbulo das metralhadoras que apavoram
tudo nao passou de novela
de novena
pra aumentar o preço da cocaína
olho gordo de milícia
santidade fardada
criança do morro pra ser notícia
polícia com os mesmos vícios do tráfico
na favela da senzala
os alemães receberam papai-noel de doze
ele ficou tão contente
mais tão contente que gozava
a cada tiro
a cada morte
a cada murro
promovendo a varredura das almas
ignorava o sonho das bicicletas embriagadas de sangue
no asfalto nu
nosso herói suicidou-se
então fiquei lembrando do bandido
que te botou pra fora de casa luizângelo
mãe chorava
e eu todo poesia
esfregava meus olhos na lua pra afastar aquilo
só agora ouço outros acordes
na solidão histórica de meus dedos
bisgodofu e suas gloriosas tragédias
fica evidente que a mídia é uma merda
que pegou carona no filme da tropa podre
dando uma cagada
no destino sonâmbulo das metralhadoras que apavoram
tudo nao passou de novela
de novena
pra aumentar o preço da cocaína
olho gordo de milícia
santidade fardada
criança do morro pra ser notícia
polícia com os mesmos vícios do tráfico
na favela da senzala
os alemães receberam papai-noel de doze
ele ficou tão contente
mais tão contente que gozava
a cada tiro
a cada morte
a cada murro
promovendo a varredura das almas
ignorava o sonho das bicicletas embriagadas de sangue
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
batuque cósmico
na sinagoga se ouvia o galo
naquele instante as frituras do destino
olhos brincavam - traduzindo desejo
livros eram aprisionados
no sarcófago da eternidade barroca
outrora minha voz esteve apaixonada
nos terminais da loucura que perdia o fôlego
na camaradagem das estrelas
sonhos mutilados me cobravam lógica
meu espírito ficou assustado
com palavras nômades abarrotado de acesso
presente em tudo
os rebanhos gritavam a resistência dos corpos
jaziam de onírico as parabólicas de terra
griots nos bulevares da história
algo me fez enxergar os tambores
deusas que divagam pela natureza dos poros
maxacalis da fábula
iguarias nos terreiros de odin
flores primitivas no asfalto da vida
naquele instante as frituras do destino
olhos brincavam - traduzindo desejo
livros eram aprisionados
no sarcófago da eternidade barroca
outrora minha voz esteve apaixonada
nos terminais da loucura que perdia o fôlego
na camaradagem das estrelas
sonhos mutilados me cobravam lógica
meu espírito ficou assustado
com palavras nômades abarrotado de acesso
presente em tudo
os rebanhos gritavam a resistência dos corpos
jaziam de onírico as parabólicas de terra
griots nos bulevares da história
algo me fez enxergar os tambores
deusas que divagam pela natureza dos poros
maxacalis da fábula
iguarias nos terreiros de odin
flores primitivas no asfalto da vida
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